quarta-feira, 27 de abril de 2011

"A moda não é útil, mas socialmente necessária."

para quem estuda moda, é imprescindível acompanharmos entrevistas e exposições. encontrei no site do chic.ig.com.br essa entrevista feita ontem com Pierre Cardin e resolvi copia-la na íntegra pra você, seguidora *.*



Pierre Cardin está no Brasil para a exposição Pierre Cardin - Criando Moda Revolucionando Costume, que homenageia os sessenta anos de seu trabalho a partir do dia 28 de abril. O estilista italiano ficou conhecido pela moda futurista que lançou nos anos 1960 e pela sua ousadia - foi o primeiro a apostar no prêt-à-porter, no final da década de 1950, e na pluralidade infinita de licenciamentos. Mas sua carreira não se restringe a moda. O couturier é embaixador da UNESCO, integrante da Academia de Belas Artes francesa, arquiteto, dançarino, dono de restaurantes e hotéis, homem do teatro e do cinema – tem até filme brasileiro no portfólio: em 1975 atuou em Joana Francesa, do diretor Cacá Diegues. Veja abaixo o que o estilista com a carreira mais longa de toda a França, como ele mesmo define, tem a dizer sobre a moda, criatividade e como garantir um bom posicionamento no mercado fashion, em encontro com a imprensa em São Paulo.

A importância da moda
A moda não é somente a roupa, a moda é infinita, inclui acessórios, bijuterias. Ela não é útil, mas socialmente necessária. Colabora à necessidade que as pessoas têm de se diferenciar, a moda é o estilo de um tempo. Uma pessoa sem roupa pode ser de qualquer lugar, é a roupa que dá a nacionalidade, a personalidade.

Visionário: prêt-à-porter em pleno anos 1950
Sou um pouco socialista, sempre pensei na possibilidade de mais pessoas poderem comprar roupas minhas e o prêt-à-porter abriu essa porta. Não tem nenhuma vulgaridade em vestir pessoas com menos dinheiro. Se não tivesse inventado o prêt-à-porter, não teria sobrevivido. Sempre perdi muito dinheiro com a alta-costura. Não é só a peça final que é cara, o custo para produzi-la é muito alto.

Porque investir tão pesado em licenciamentos
Sempre fui muito ambicioso. Não queria fazer algo que fosse um arranhão, queria fazer uma marca, criar algo que ficasse para sempre e espalhá-la. Daí os licenciamentos, que foram também o meu próprio financiamento. Nunca tive financiador, sempre fui responsável por tudo o que me deu maior liberdade, mas muitas responsabilidades. Sou 100% proprietário da minha marca, sou meu próprio banqueiro.

Como diferenciar um grande criador de um estilista
Um grande criador é aquele que tem seu estilo, sua criatividade; é como um artista, tem autenticidade, não copia nem imita. Os avant-garde são aqueles que fazem o mundo avançar, são uma elite que compreende aquilo que não é diretamente acessível.

A origem dessa criatividade
É preciso saber olhar, conhecer com profundidade. Sempre viajei, fui a museus para saber o que já havia sido feito e fazer diferente de tudo o que já existiu. Para conhecer outro país preciso ir além dos cafés ou das festas, é preciso saber olhar a política, a cultura, as dificuldades do lugar.

O que um novo estilista precisa para se colocar no mercado
A minha vida é real e não virtual. Amo trabalhar, é o meu prazer. Prefiro trabalhar do que entrar de férias, é o trabalho que me traz equilíbrio moral, social. Para ter sucesso é preciso trabalhar, ter conhecimento e originalidade, além de arrumar uma maneira de se financiar.

Projetos para o futuro
O estilista/arquiteto está construindo na cidade de Veneza um edifício todo feito de vidro, as obras começam ainda em 2011 com a promessa de entrega em 2015. Por que investir também em prédios? “O resta é a arquitetura, as formas, é o que fica na civilização. Sigo sempre a arquitetura”.

E qual o futuro da marca? Cardin não tem um estilista em mente para substituí-lo, nem, por hora, a proposta de vendê-la, mas em tom de brincadeira avisou os interessados: “se cada um dos sete bilhões de pessoas do mundo der 1 franco...”.




fonte: chic.ig

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